sábado, 29 de outubro de 2011

dos meus desejos



‎"O que eu
queria era 
 transfusão 
de vida, o
riso me 
entrando na
veia até 
me engolir."

                                                                                                                                          (Mia Couto - O Cesto)

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Liguei o rádio. Além dos pensamentos, queria outros ruídos no cérebro. Mais profanos, menos confusos


"Cuidado com os olhares de quem não sabe lhe amar... eles costumam lhe fazer esquecer que você vale à pena!"

‎"Uma dose de amnésia, e duas de desapego, por favor.

terça-feira, 11 de outubro de 2011


"O amor livre choca-se com dois obstáculos inevitáveis: a incapacidade para sentir o amor verdadeiro, essência do nosso mundo individualista, e a falta de tempo indispensável para entregar-se aos verdadeiros prazeres morais. O homem atual não tem tempo para amar. Nossa sociedade, fundada sobre o princípio da concorrência, sobre a luta, cada vez mais dura e implacável, pela subsistência, para conquistar um pedaço de pão, um salário ou um ofício, não deixa lugar ao culto do amor." 

A nova mulher e a moral sexual - Alexandra Kolontai
"Salve o amor. Aquele de conchinha e barba na nuca, que pode durar pra sempre ou só até amanhã. Aquele amor sem medo, sem freio, que ama e pronto. Salve o amor que a gente dá e pega de volta outra hora, outro dia, com outra pessoa. Aquele aconchego facinho que não posa, não se esforça, não finge. Salve o amor-próprio, que resolve a vida de muitos, o amor das amigas, que aguenta, arrasta e levanta. Salve o amor na pista, que roça, se esfrega, se joga e vai embora. Um amor só pra hoje, sem pacote pra presente, sem laço ou dedicatória. Salve o primeiro amor, que rasgou, perfurou, corroeu... ensinou. Salve o amor selvagem, o amor soltinho, o amor amarradinho. Salve o amor da madrugada, sincero enquanto dure e infinito posto que é chama. Salve o amor nu, despido de inverdades e traquitanas eletrônicas. Salve o amor de dois a dez, um amor sem vergonha, sem legenda. Salve o amor eterno, preenchido de muitos ardores. Salve o amor gigante, mas sem palavras, o rotativo e o escrito, salve o amor rimado, cego, de quatro. Salve o amor safado, sincero e sincopado, o amor turrão e o encaixado." 

(Lia Block)



das surpresas do caminho

    
A A vida nos prepara cada cilada,
já cantava Elis (choro sempre quando a ouço),
e continua: é inútil se tentar fugir da longa estrada, lembra?


segunda-feira, 10 de outubro de 2011


domingo, 9 de outubro de 2011

Você vai me abandonar e eu nada posso fazer para impedir. Você é meu único laço, cordão umbilical, ponte entre o aqui de dentro e o lá de fora. Te vejo perdendo-se todos os dias entre essas coisas vivas onde não estou. Tenho medo de, dia após dia, cada vez mais não estar no que você vê. E tanto tempo terá passado, depois, que tudo se tornará cotidiano e a minha ausência não terá nenhuma importância. Serei apenas memória, alívio, enquanto agora sou uma planta carnívora exigindo a cada dia uma gota de sangue para manter-se viva.
Que o outro saiba quando estou com medo,
 e me tome nos braços sem fazer perguntas demais.
Que o outro note quando preciso de silêncio e não
 vá embora batendo a porta, mas entenda que não
 o amarei menos porque estou quieta.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Normalinhas


As garotas tradicionais que todo mundo gosta de ver em São Paulo, risonhas, 
pintadas, de saias de cor e boinas vivas. Essa gente que tem uma probabilidade
 excepcional de reagir como moças contra a mentalidade decadente, estraga tudo 
e são as maiores e mais abomináveis burguesas velhas. Com um entusiasmo 
de fogo e uma vibração revolucionária poderiam se quisessem, virar o Brasil e 
botar o Oiapoque perto do Uruguai. Mas D.Burguesia habita nelas e as transforma
 em centenas de inimigas da sinceridade. E não raro se zangam e descem do 
bonde, se sobe nele uma mulher do povo, escura de trabalho. 
A gente que as ve em um bandinho risonho pensa que estão forjando algumas coisa 
sensacional, assim como entrarem em grupo na Igreja de S. Bento, derrubar altar, padre estoia, sacristia...Nada disso. Ou comentam um tango idiota numa fita imbecil ou deturpam os fatos 
escandalosos, de uma guria mais sincera, em luta corporal com o controle cristão. Agrupam-se para abandoná-la. A camarada tem de andar sozinha...É uma imoralidade...Ao menos se fizesse escondido...
 É isso mesmo o que elas fazem.Eu que sempre tive a reprovação delas todas; eu que não mentia, com as minhas atitudes, com as minhas palavras, e com a minha convicção; eu que era uma revolucionária 
constante no meio delas, eu que as aborrecia e as abandonava voluntariamente enojada de sua 
hipocrisia, as via muitíssimas vezes protestar com violencia contra uma verdade, as via também com 
o rosto enfiado na bolsa escolar e pernas reconhecíveis e tremulas subirem a baratas impassíveis para 
uma garçoniére vulgar. Ignorantes da vida e do nosso tempo! 
Pobres garotas encurraladas em matinés oscilantes, semi-aventuras, e clubes cretinos. 
A variadas umas pelas outras, amedrontadas com a opinião, azoinando preconceitos e corvejando disparates, se recalcam as formadoras de homens numa senda inteiramente incompatível 
com os nossos dias. 
E vão estragar com os ensinamentos falsos e moralistas a nova geração que se prepara.
 É caso de polícia! O governo como bom revolucionário que se diz, 
devia intervir com uma dezena de grilos numas visitinhas pela casa corruptora. 
Com uma dúzia de palmadas elas se integrariam no verdadeiro caminho. 
Acho bom vocês se modificarem pois que no dia da reivindicação social que virá, 
vocês servirão de lenha para a fogueira transformadora. 
Se voces, em vez de livros deturpados que leem, e dos beijos sifilíticos de meninotes 
desclassificados, voltassem um pouco os olhos para a avalanche revolucionária que
 se forma em todo o mundo e estudassem, mas estudassem de fato, para compreender
 o que se passa no momento, 
poderiam com uma convicção de verdadeiras proletárias, que não
 querem ser, passar uma rasteira nas velharias enferrujadas que resistem e ficar na frente de uma mentalidade atual como autenticas pioneiras do tempo novo. Vocês também querem que nem os seus coleguinhas de Direito, trocar bofetões comigo? 


                                                Pagu, O Homem do Povo, número 8, segunda-feira, 13 de abril de 1931

segunda-feira, 3 de outubro de 2011


"(...) eu me pari mil vezes. Nova, diferente, corajosa. Atirada, confiante, inteira. Aquela urgência que eu não compreendia era a minha urgência de ser."

(Cris Guerra)
'Ninguém sabe
 direito o que  é felicidade, mas, definitivamente, não é acomodação.'' 



‎(...) Intensidade é paciência, é capricho, é não abandonar algo porque não funcionou.
 É começar a cuidar justamente porque não funcionou.